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Spring Break em Summer Heat

por CarinaaS., em 07.04.14

Não há, certamente, melhor forma de começar a Spring Break do que com um mega festival à nossa medida!

E porque as férias da Páscoa são para os adolescentes e os mais novos, não poderia existir melhor cartaz do que o OMG! Spring Break Portugal 2014.

 

Continuando com o nosso percurso, passámos assim mais um dia festivaleiro deste inovador Spring Break, sendo que este foi, certamente, aquele que mais marcou a vida de milhares de adolescentes, não estivéssemos a falar do derradeiro dia de concertos. D8, No Stress, Emblem 3, Union J e Nelson Freitas foram as atrações do dia, mas foi o jovem rapper saído do Factor X quem marcou o arranque deste festival que surpreendeu pelos números de adesão ao evento.

Numa mistura de ritmos e músicas distintas, o público foi levado pelo DJ que deu entrada a D8. O rapper foi recebido por uma avalanche de gritos que fizeram estremecer toda a arena.

Habituado ao barulho dos programas televisivos, o cantor puxou pelo público ao fazer questão que estes gritassem mais alto e se fizessem ouvir ainda mais: "Como vim da televisão, estou habituado a ouvir muito barulho e não me contento com menos!", exaltava o rapper estreante neste grande palco do Meo Arena.

 

Depois, novidade após novidade, D8 deu-nos a conhecer um pouco do seu novo álbum, prestes a sair, e levou-nos a recordar algumas das galas passadas no programa X Factor.

Sempre patriota, o rapper utilizou o público maioritariamente feminino como seu coro, ajudando-o a concluir uma breve passagem: "Vocês são tudo. Nós somos tudo!".

Por fim, com um ecoante "final, final", D8 despediu-se dos fãs, dando lugar aos portugueses No Stress.

 Como é habitual, os No Stress apresentaram-se extremamente bem dispostos, subindo ao palco um de cada vez na sua entrada no Meo Arena.

Os décibeis elevaram a fasquia com a presença destes cinco rapazes que nos presentearam com sorrisos largos e boa disposição.

"Vocês são demais!", saudavam os membros da boyband para a sua plateia em histeria.

 

No decorrer do concerto, sucessos como "És Demais" ou a mais conhecida, "No Stress", fizeram as delícias do público português que marcava presença na arena lisboeta. Lugar também para covers de sucessos como "Little Things”, dos One Direction, ou "All of Me”, de John Legend, num concerto que, durante metade do tempo, fez recordar uma noite de karaoke pela quantidade de covers feitas.

Contudo, o rebentar da escala chegou com os americanos Emblem 3, que se estrearam pela primeira vez em Portugal neste nosso Spring Break.

Drew, Wesley e Keaton fizeram as delícias das fãs ao pisar o palco do Meo Arena e ao darem a conhecer o seu trabalho, "Nothing to Lose", pela primeira vez em terras lusas.

Os americanos entraram cheios de boa disposição, divertindo-nos com pequenas brincadeiras entre si, como andar às cavalitas em pleno palco, ou mesmo interagindo com tudo aquilo que o público tinha para oferecer: perucas, roupa interior, etc.

 

"Can't Hold Us" de Macklemore & Ryan Lewis foi também um dos momentos altos da noite durante a atuação dos Emblem 3, com o trio a cantar em plena sintonia com todo o público português presente, bem como alguns sucessos da banda como "Chloe".

Para além desse momento, "3000 Miles" foi certamente outro dos mais marcantes e carinhosos do trio para com o público, com direito a uma pequena dedicatória alusiva à faixa: "Vindos da América, só queremos dizer que vos adoramos!".

 

E embora o inglês seja a sua língua materna, os rapazes esforçaram-se para dizer algumas palavras em português, como um simples "olá" ou "obrigado", tendo-se despedido com mais um dos seus sucessos, o que deixou os fãs nas nuvens.

Em seguida, e para nosso espanto, as nuvens pareciam movimentar-se para fora do pavilhão, dando lugar a um vazio de lugares que se fez notar após a despedida dos americanos Emblem 3. Contudo, os ingleses Union J não tardaram a subir ao palco, e o público mostrou-se de tal forma recetivo que dava a ilusão de casa cheia.

 

Os ingleses surgiram de cara alegre e com boa disposição, distribuindo sorrisos e beijos voadores pelo público que por eles gritava, ao mesmo tempo que davam início a um concerto bastante animado.

Jj, George, Josh e Jaymi não se fartaram de mencionar o carinho português que sempre lhes foi demonstrado, desde a sua primeira aparição em Portugal, na abertura do concerto de Selena Gomez.

"É a nossa segunda vez aqui em Portugal! Nós adoramos-vos", foram as palavras que levaram ao delírio os fãs, numa enchente de gritos e apelos eufóricos.

No fim, e para encerrar a noite num tom mais adulto, Nelson Freitas atingiu o palco com todo o seu charme.

O cantor de "Bo Tem Mel" mostrou-se verdadeiramente simpático para com o público presente, vendo a sua atitude correspondida por um público que, definitivamente, era bem mais novo do que o habitual de Nelson Freitas.

 

"Elevate" foi certamente o álbum mais requisitado do artista após o sucesso do seu hit, "Bo Tem Mel", mas o cantor achou por bem dedicar a faixa "Simple Girl" ao público maioritariamente feminino que estava presente. Mantendo a onda internacional, o artista cantou também em língua inglesa para os seus fãs.

 

E assim terminou o primeiro festival primaveril para adolescentes em Portugal, sendo que esta primeira edição do OMG! Spring Break ficou certamente marcada pelo calor que se fez sentir durante o dia, deixando todos mais motivados para o dia que se seguiu.

 

Texto: Carina Sousa

Fotografias: Raquel Candeias e Raquel Cordeiro

publicado às 19:09

Anselmo Ralph Andrade Cordeiro, mais conhecido por Anselmo Ralph, deu mais motivos para a paixão dos seus fãs no concerto a 5 de dezembro no Campo Pequeno. O cantor, visivelmente nervoso, parecia algo perdido em palco, sendo acarinhado pelos seus fãs e convidados especiais que desde cedo demonstraram o calor do público português (e não só). 

 

 

As filas eram de loucos, e desde cedo se percebeu que aquela iria ser uma noite cheia de emoção. A euforia dos fãs do cantor angolano manifestou-se desde o momento da abertura das portas, com gritos incessantes e aclamações ao cantor que ainda tardaria a chegar, dando oportunidade aos HMB e aos No Stress de abrirem o seu concerto. 

 

Contudo, para começar, HMB é um nome curto, igual à descrição do seu momento em palco.

No entanto, quando se toca no nome "No Stress", o cenário muda de figura, atingindo uma escala que em nada está associada ao nome do grupo, ou seja, a histeria pura. 

 

Os No Stress pisaram o palco do Campo Pequeno que de imediato se iluminou pela quantidade de máquinas fotográficas a disparar ao mesmo tempo na direção dos cinco rapazes. 

Desde a apresentação de cada um deles (Cláudio, Tiago, Daniel, James e Valter), que os gritos do sexo feminino, o sexo dominante deste dia, se fizeram ouvir a alto e bom som.

Os rapazes fizeram as delícias das fãs presentes no Campo Pequeno, cantando as suas faixas mais conhecidas como o seu single, "A Um Passo do Céu", bem como alguns tributos, como foi o caso dos Backstreet Boys, independentemente das falhas técnicas que, apesar do apelo dos rapazes, acabaram por não ser solucionadas. 

Desta forma, será justo concluir que, apesar de todo o carinho e empenho que os No Stress demonstraram em palco, estes ficaram, de facto, "A Um Passo do Céu" com os cortes do microfone. 

 

Contudo, após o golpe de energia dado pela primeira parte do concerto, o certo era que os fãs desesperavam por Anselmo, e o mesmo não tardou mais, chegando ao palco para um concerto em cheio que durou hora e meia.

Numa entrada repleta de confetti e luzes em palco, o cantor angolano arrebatou os seus fãs num começo repleto de dança e coros afinados, onde seria precisa uma pesquisa vasta pelo recinto para descobrir alguém que se mantivesse colado à cadeira ou recatado a um canto. 

 

"Curtição" foi a faixa escolhida pelo cantor para dar entrada a Paulo Junqueiro, num dos momentos mais especiais da noite com o qual o cantor não contava. A música cessou e ao palco subiu um dos atuais jurados do Factor X de Portugal, entregando em mãos o Disco de Ouro a Anselmo Ralph que, de imediato, ficou sem saber o que dizer. "Eu juro que não sabia disto! Muito obrigado. Eu não o faço pelos prémios, faço por vocês", agradeceu, uma vez mais, o cantor angolano. 

Contudo, ainda não estando ainda em si, o cantor voltou a frisar após uma outra faixa: "Eu ainda estou a pensar no disco de ouro. Não me vai sair da cabeça!". 

 

E daí em diante, as surpresas nunca tiveram direito a parar, embora Ralph se demonstrasse demasiado nervoso para conseguir prosseguir o concerto sem consultar a sua cábula a cada transição, chegando mesmo a mudar o rumo por lapso de leitura. 

Mas não foram apenas os fãs do Campo Pequeno que tiveram direito a surpresas, sendo que o cantor ligou a três fãs, diretamente dos telemóveis de pessoas do público, para lhes dizer um "olá", ou mesmo para lhes dedicar uma música. Escusado seja dizer que, como já seria de esperar, do outro lado da linha apenas se ouviam guinchos e vozes trémulas, enquanto a plateia ria com a emoção demonstrada. 

 

"Única Mulher" foi outra das faixas apresentadas do cantor onde, para não descuidar, o coro permaneceu impecável como sempre, levando o cantor a remoer: "Não parece que o álbum saiu na segunda-feira". 

E não seria um concerto de Anselmo Ralph sem a faixa "Não Me Toca", onde o cantor se fez acompanhar de uma fã, vencedora de um passatempo, com a qual dançou em palco.

 

Última nota para as homenagens feitas a Paul Walker, o ator falecido, bem como a Nelson Mandela, cuja morte tinha sido conhecida poucos minutos antes. 

Por fim, resta-nos dizer que o concerto encerrou com a emblemática "Não Me Toca", numa repetição que, certamente, não deixou de agradar aos seus admiradores, num concerto ritmado e bastante sentimentalista de um dos angolanos de eleição dos portugueses. 

 

Texto: Carina Sousa

publicado às 13:50

Mais um de muitos dias deste Misty Fest 2013, e desta vez com um tributo, por diversas vozes, a Roberta Joan Anderson - ou para o comum dos mortais, a mítica Joni Mitchell. A cantora, poetisa e artista plástica foi homenageada no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (doravante CCB), nesta quinta-feira, em todas as vertentes da sua carreira artística que ascendeu ao sucesso na década de 1970. 

 

 

Uma sala particularmente cuidada sentia os seus visitantes chegar, um a um, como que a conta gotas, até ficar com lotação quase esgotada. Mas não arrancou logo, já que por cá quase nenhum espetáculo começa a horas e terminar à hora marcada parece ser um desafio, ainda que a distância dos ponteiros do relógio não tenha sido assim muita (15 minutos para cada lado, apontámos nós). 

 

O pano não caiu, mas o cenário era bastante clássico, tendo o seu começo com o apagar das luzes e o despertar da tela gigante que iluminava o palco com a imagem projetada da cantora. Um retrato tão conhecido que rapidamente se dissipou num exemplo de algum tipo de arte abstrata que se via surgir perante o olhar atento da plateia. Contudo, o arranque mostrou-se tímido, com as vozes do tributo à cantora a revelarem-se bastante poderosas, mas comedidas perante o público. Nem um "olá" ou "obrigada", um aceno servia.
Para aumentar o inicial desinteresse, a tela de imagens projetadas, que rapidamente se transformavam em arte em movimento, tornou-se tão inquietante e perturbadora que nos fazia desviar constantemente o olhar. Chegava a parecer que estávamos numa exposição de arte com música de fundo ao vivo, apesar do pequeno erro de apresentação quando a barra do Paint (sim, o programa de pintura que qualquer um de nós tem no computador) se fez mostrar por engano de António Jorge Gonçalves, responsável pelas ilustrações.

 

 

Num primeiro comunicado, a faixa "Answer Me My Love" foi-nos apresentada como uma das favoritas da artista, apesar de não ser da sua autoria (a única da noite), deixando-nos embalar pelo ritmo e tom melodiosos que rapidamente cessaram e deram as boas vindas à rainha da conversa do tributo, a nossa Luisa Sobral.
"Quase ninguém fala, mas eu não consigo!", foi o primeiro protesto da jovem cantora aquando da sua atuação, sendo que a lisboeta interpretou a faixa "California", de Joni, uma melodia com a qual se identifica pela necessidade que sentiu de regressar - não à Califórnia, mas a Lisboa. A cantora foi também a primeira a atingir uma maior proximidade da canadiana, tendo pegado na sua guitarra acústica enquanto interpretava o tema com o seu timbre tão distinto e espetacular, sem nunca deixar escapar os dedos por uma corda.

 

Pouco tardou até que o último elemento artístico da cantora homenageada fosse exposto, tendo sido exibido na tela um dos poemas das letras de Joni na faixa "Marcie":
"Marcie in a coat of flowers,
Steps inside a candy store.
Reds are sweet and greens are sour,
Still no letter at her door".

 

 

Ainda assim, rapidamente passámos de flores à mecânica, com a interpretação de Mafalda Veiga da faixa "Big Yellow Taxi" a ser seguida pela divertida e extremamente aplaudida Sara Tavares: "Tão bom! Comer uma caixa de Joni Mitchell foi tão bom para mim. Aí vem uma Joni Mitchell mais ritmada e despenteada", informou a cantora que interpretou, no seu estilo, mais um dos sucessos da estrela canadiana.


Amélia Muge, Aline Frazão, Ana Bacalhau, Cati Freitas, Elisa Rodrigues, Manuela Azevedoe Mária foram outras das belas vozes que se fizeram ouvir no CCB, mas que se mantiveram algo mais recatadas perante o olhar curioso da plateia lisboeta que incessantemente batia palmas a cada fim de música, cada troca de artista, simplesmente a cada oportunidade, mostrando assim a sua amabilidade e respeito para com as cantoras em palco.


No fim, todas as artistas se juntaram em palco para cantar uma última faixa de tributo a Joni, sendo que o culminar de uma bela noite foi o momento em que todos os artistas regressaram, num curto encore, e onde todas as vozes femininas serviram de coro à verdadeira voz da noite: a própria e única Joni Mitchell.

 

Texto: Carina Sousa

Fotografias: Débora Lino

publicado às 17:17

Uma noite de Tondela no Misty Fest

por CarinaaS., em 05.11.13

O Misty Fest 2013 junta toda uma panóplia de artistas de 1 a 23 de novembro, contando com diferentes cenários como o Centro Cultural de Belém, o TMN ao Vivo, ou mesmo o clássico cinema São Jorge. Contudo, para além de existirem diversos artistas em diversos dias, também existem aqueles que se juntam em misturas algo caricatas, como foi o caso de Samuel Úria e os Cindy Kat a que assistimos, numa rodagem de cenários que passou de intimista a futurista num abrir e piscar de olho

 

 

Samuel Úria, o solitário natural de Tondela, foi o primeiro a pisar o palco da sala do Cinema São Jorge, tendo começado de uma forma bastante reservada que nos levaria a um sentimento de surpresa com o surgimento da sua faceta de comediante. "O meu nome é Samuel Úria. Provavelmente o nome mais estranho que vão ouvir esta noite, a menos que achem que Cindy Kat é um nome!", foi o primeiro dos diversos comentários humorísticos do cantor em palco.

 

"Essa Voz" foi uma das muitas faixas que o cantor nos apresentou em concerto, ao mesmo tempo que as guitarras circulavam entre o chão e as suas mãos, numa troca frenética de instrumentos que eram afinados à medida que eram selecionados, levando aos constantes zumbidos e desafinações das cordas que vibravam incessantemente nas mãos do artista. E depois, como se tal não bastasse, ficava ainda a pairar no ar uma incerteza quanto ao facto dos vibratos do mesmo serem apenas guinchos, ou meros deslizes intencionais, fruto do excentricismo de Samuel Úria.

 

Todavia, não tardaria até o cantor se recompor e nos brindar com mais um sucesso, mais uma faixa, ou simplesmente mais uma piada, como o falso sentimento de tristeza que o artista afirmou ter pela perda da sua mulher, quando, na verdade, se referia à companheira de Eric Clapton, Pattie Boyd.

 

 

 

Em desabafo, Samuel afirmou ainda que era um orgulho poder estar a abrir para amigos, e que esta seria a terceira vez que tocava naquela mesma sala, agora com um toque especial de limitação ao tempo: "Quando me deixam sozinho as coisas ganham proporções catastróficas!", confessou o cantor, que tendia a não se conter nos comentários.

 

No fim, um pedido de colaboração do público, onde a opção das "palminhas" foi posta de lado e Samuel optou por um coro bem ensaiado de "teimoso que nem um moleque". O motivo da recusa das palmas? Uma experiência traumática do cantor durante um programa de televisão, quando não conseguiu desativar o bater das palmas da plateia idosa.

 

 

Depois, seguidos de uma pausa para alteração do cenário, os Cindy Kat subiram ao palco para aquele que deveria ser o concerto mais aguardado da noite, mas que se veio a revelar no maior desgosto da mesma. Com um cenário completamente futurista, a banda formada por alguns dos membros da antiga banda Sétima Legião, o grupo deitou tudo ou quase tudo a perder com o volume excessivo que era emitido, dando origem a um completo ruído em que a voz do vocalista era pouco perceptível para a plateia que assistia. 

 

Ainda assim, a banda conseguiu voltar a destruir expectativas com erros durante as músicas, onde uma delas teve de ser interrompida a meio para se começar desde o princípio: "Desculpem lá. Mas o que se passou?" foram algumas das palavras de indignação trocadas entre os membros do grupo que tentou levar a situação da melhor forma. 

 

 

O momento alto da noite para os Cindy Kat terá sido a colaboração com Samuel Úria, durante a qual o público, que já poucas palmas batia, voltou a ganhar vida na presença do cantor de Tondela. De outra forma, era visível o descontentamento e a má qualidade deste segundo momento musical da noite, tendo surgido um vazio imenso de cadeiras à medida que as pessoas se iam dispersando na sala, muito antes do término do concerto. As remanescentes mantinham um olhar mortiço e bocejavam incessantemente enquanto viam as horas passar - provavelmente num ato de misericórdia para com o dinheiro despendido no bilhete.

 

E cadeira a cadeira, todo o público foi saindo até ao fim do concerto, altura em que também nós abandonámos o nosso lugar, dando por encerrada uma noite em que aquele que deveria ter sido o ato secundário, acabou por roubar as luzes da ribalta a uma vedeta mal preparada.

 

Texto: Carina Sousa

Fotografias: Rita Sousa Vieira

publicado às 16:23

De João Só a João cheio no TMN ao Vivo

por CarinaaS., em 25.10.13

João Só nunca se manifestou zeloso pelo seu nome, procurando sempre contrariar o mesmo desde pequeno com a vinda de Coimbra para a capital do país, ou juntando-se aos pobres Abandonados para o seu álbum de estreia. Agora, no concerto TMN ao Vivo, João Só voltou a contrariar as suas origens ao encher o armazém 65 da Rua da Cintura em Lisboa.

 

 

Com um ambiente bastante festivo e animado, o espaço não tardou a encher, repleto de diversas celebridades que se misturavam com a multidão com um "Só" objetivo: assistir ao espetáculo de João.

Palmas, gritos e guinchos fizeram-se ouvir quando as luzes se apagaram e os holofotes focaram o palco em que vieram a surgir João Só e os seus companheiros de palco, mas não os Abandonados. 

Contudo, "Solidão" foi o tema de abertura do concerto, tendo gerado uma enchente imediata de aplausos e euforia que se faziam estender às mais diversas faixas etárias e padrões sociais presentes no local. "Boa noite a todos. Obrigada por terem vindo debaixo desta chuva. São os maiores!", saudou o cantor de Coimbra enquanto as gotas de água caiam como se quisessem abafar o estrondoso concerto em marcha, tendo por isso falhado a sua missão. 

 

Logo de seguida, enquanto a chuva e o nevoeiro pintavam o céu com uma palete bastante monótona de cores, o recinto do TMN ao Vivo encheu-se de cor a pedido de João Só, ao som de "É P'ra Ficar", quando o cantor apelou ao uso dos pequenos pauzinhos florescentes que iluminaram a sala de um laranja bastante garrido, enaltecendo assim a vivacidade com que se viviam os momentos em concerto. 

 

 

 

Sempre com coros afinados e palmas ritmadas, o público mostrou-se sempre recetivo a qualquer tipo de exibição em palco, tendo vibrado com a ideia do concerto estar a ser filmado pela equipa do artista. E mais emoções vieram à tona com João Só a aproveitar a sua audiência para felicitar os bebés do dia com os seus "parabéns", bem como a dedicatória da noite que se dirigiu à sua noiva, num momento digno de um filme de romance em que os guinchos femininos sucumbiram à emotividade do momento. "Esta é a música mais diferente que tenho, e aproveito para a dedicar à minha querida noiva", declarou o fã dos Beatles, seguindo-se a faixa "Vais Ter Que Me Aturar". 

 

E um concerto, por mais curto que seja, não é verdadeiramente um concerto sem ter direito a um encore. E sem querer fazer qualquer desfeita, João Só brindou a sua plateia com um depois dos gritos completados entre os sexos masculino e feminino, onde "só" dos homens dava entrada para um "mais uma" das raparigas. 

Desta forma, os ânimos aumentaram com os mais entusiastas a formar um moche diante do palco enquanto João Só tocava aquela que foi a primeira música que fez na vida, "Topa-me o Top", segundo as suas palavras.

 

 

Por fim, e para encerrar, o cantor pôs um ponto final no momento musical com um dos seus grandes êxitos, logo após os agradecimentos feitos a toda a sua equipa e apoios dados para um concerto que já de si, visto ter durado pouco mais de uma hora, era pequeno. E o concerto pareceu ainda mais curto face à histeria e boa vibração do momento que todos partilharam. Foi um final de dia pouco alongado mas bastante agradável…e não houve quem pudesse-se sentir "Só".

 

Texto: Carina Sousa

Fotografias: Carina Sousa

publicado às 02:02

Todos nós conhecemos bem o cheiro que emana dos mares, a fragrância salgada que paira no ar e se infiltra pelas nossas narinas. Todos nós sabemos reconhecer um peixe: a cauda, as escamas, as guelras. Mas muitos não sabem o que é um peixe : avião.

Os peixe : avião não cheiram a maresia e não respiram por guelras, mas isso não os impediu de estarem presentes no CCB (doravante, Centro Cultural de Belém), em Lisboa, onde nos presentearam com um concerto de outro mundo (que não o aquático).

 

 

Para começar, a banda de Braga teve o apoio de um outro grupo de rapazes, quatro para sermos mais exatos, e com uma aspiração bastante gelada ao se intitularem de Long Way to Alaska.

Os rapazes juntaram-se em 2009 e fizeram a primeira parte do concerto no CCBeat, naquela que parecia ser uma entrada bastante monótona e sem hipóteses para quebrar o gelo que se mantinha dentro do pequeno auditório do CCB - com uma plateia que não preenchia o total da lotação e apenas se aglomerava nas bancadas centrais, deixando as laterais completamente despidas.

As palavras eram poucas, ouvindo-se apenas um "obrigado" de cada vez que findava os acordes que nos faziam recordar uma mistura de alguns artistas country. Contudo, o degelo teve lugar aquando da apresentação de "Air", em que todo o público correspondeu às palmas que eram pedidas por Gonçalo, Gil, Nuno e Lucas.

 

 

Dai em seguida, o ambiente mudou e os rapazes começaram a sentir-se mais descontraídos, brincando com as situações em que se enganavam ou ironizavam sobre a sua falta de reconhecimento: "Vamos agora tocar a música do nosso novo EP. Aposto que já ouviram!".

Por fim, podemos rematar dizendo que, apesar do jogo de luzes bastante monótono e algo saturante ao longo dos quase 40 minutos de espetáculo que os Long Way to Alaska nos deram, terminando com um: "É um prazer estar em Lisboa. É um prazer estar no CCB!".

 

Despedidas feitas, pausa passada e palco montado (de novo), os peixe : avião subiam para as luzes da ribalta, ao passo que os nossos amigos do Alasca se misturavam com o público, naquele que parecia ser um ambiente bastante intimo e, decididamente, romântico, entre um dos elementos da banda e a sua companheira.

 

 

As luzes monótonas foram substituídas por um esquema psicadélico, onde o fumo de palco era tanto que a visão ficava turva perante a atuação dos bracarenses que, tal como os seus antecessores, tiveram um arranque bastante tímido e de poucas palavras. Depois, admitindo serem da "província de Braga", embora o vocalista tenha nascido em terra de alfacinhas, a banda procedeu aos seus primeiros agradecimentos ao seu "público altamente".

Os temas do seu novo álbum, homónimo, foram intercalados com alguns dos seus temas antigos e de sucesso, sendo que, ainda assim, a banda não conseguiu arrecadar uma reação tão positiva quanto a anterior.

As faixas seguiam-se umas às outras num rodopio musical em que poucas eram as palavras deixadas ao público e onde um rápido encore se fez sentir sem darmos pelo tempo passar.

 

 

"Fomos só fazer um xixi", brincou um dos elementos do grupo quando os mesmos surgiam da sua mísera pausa de segundos, voltando a encher-nos de música num ritmo alucinante que seria desaconselhável a epiléticos.

"Deixam-nos o coração cheio, deixam-nos a barriga vazia, e a alma... qualquer coisa", foi o discurso final do vocalista e líder do grupo que a todos deixou estáticos com um zumbido incessante apenas dissipado com o regresso das luzes, anunciando assim o fim do espetáculo, independentemente dos apelos daqueles mais empenhados em congratular o grupo de Braga.

 

Texto: Carina Sousa

Fotografias: Rita Sousa Vieira

publicado às 21:26

Octa Push: From Zero to Hero

por CarinaaS., em 21.07.13

Os Octa Push são uma banda portuguesa, formada pelos irmãos Bruno (Mushug) e Leonardo (Dizzycutter), que juntos se deram a conhecer numa entrevista aos sapinhos do On the Hop, no Festival Super Bock Super Rock 2013.

Os Octa Push lançaram o seu primeiro trabalho de estúdio este ano, o álbum "Oito", contando com 12 faixas inovadoras de influências rock e eletrónica destes dois irmãos que, inicialmente, planeavam seguir com carreiras separadas. E como tudo tem o seu início, a dupla não é exceção, tendo o seu começo de carreira marcado pela indiferença e desconfiança em geral, mesmo da sua própria família.
"Quando começámos, a nossa irmã não ligava ao que fazíamos", comentou Leonardo numa experiência que, de senso comum, é bastante previsível no mundo da música.

 

Os dois irmãos fizeram questão de realçar os "sim, sim" da sua família, típicos de quem não confia no êxito na indústria musical, ponderando, provavelmente, se os seus filhos não estariam melhor como médicos ou advogados.

Contudo, tudo mudou desde o momento em que a música de Leonardo e Bruno se começou a espalhar, tornando-se de tal maneira viral que chegou aos ouvidos de Thom Yorke, vocalista dos Radiohead. E como se não bastasse, a excitação de criança relatada pelos irmãos aumentou com o momento em que Thom Yorke começou a divulgar as suas músicas em concerto; não uma, mas várias vezes, levando Mushug e Dizzycutter a dar pulos de alegria, como numa verdadeira noite de Natal: "Nós existimos mesmo! Ele sabe que nós existimos", declarou o irmão mais velho no auge da sua satisfação.

 

Dai em seguida, o sucesso dos Octa Push tem vindo a evoluir. O grupo, que pisou o palco da Antena 3 no festival do Meco, confessa-nos que, embora tenha demorado, e nem sempre tenham pensado da mesma maneira, a sua família começou a ver o seu trabalho com outro olhos, especialmente a irmã dos artistas: "Ela começou a partilhar as nossas músicas com os amigos", conta Leonardo.

Os irmãos Octa Push tiveram ainda tempo para nos dar umas luzes de como é trabalhar em irmandade, admitindo que nem tudo é um mar de rosas.

 

Este processo de irmãos que muda conforme o seu humor, podendo ser bastante rápido ou verdadeiramente complicado, onde o fator "família" é essencial.

"Quando há discussões em jantares ou assim, é provável que comecemos a implicar um com o outro, podendo por vezes estragar algo que seria realmente bom", constatou, uma vez mais, o mais velho dos irmãos.

 

No fim, após uma pequena conversa bastante descontraída e animada, os Octa Push contaram-nos ainda os seus momentos mais hilariantes, desde um homem nu a bater-lhes à porta ou a busca ao papel higiénico, revelando ainda que, em digressão, o que mais sentem falta é mesmo de cama e comida, num estilo de vida em que o pão com queijo é o rei do dia.

 

Texto: Carina Sousa

Fotografias: Débora Lino

publicado às 19:15

Um vez mais, uma banda da Califórnia fez as delícias do público português no Super Bock Super Rock (SBSR) deste ano, sendo que, como não poderia deixar de ser, desta vez a festa foi feita num escala de outro mundo com a presença dos desejados Queens of the Stone Age no palco Super Bock.

A banda norte-americana formou-se na década de 1990, tendo atingido o estrelato com o seu primeiro trabalho, "Queens of the Stone Age", financiado pelos próprios elementos da banda que se apresentou no festival do Meco mais cedo do que o esperado. Num concerto que era previsto começar à uma da manhã, o grupo californiano deixou o público assistir às entradas de Josh Homme, Troy Leeuwen, Jon Theodore, Michael Shuman e Dean Fertita com uma calorosa salva de palmas meia hora antes.

 

Os decibéis aumentaram com os primeiros acordes de "You Think I Ain't Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire" que levaram o público ao rubro, temas em que a banda pareceu vinda de um mundo novo e os seus rostos ficaram de um verde reluzente que preenchia o palco.

 

Com um reportório sempre a abrir, o sucesso "No One Knows" foi a faixa seguinte a ser tocada, gerando uma incrível reação na plateia que pulava sem parar e gritava em plenos pulmões: "Olá. Liguem as luzes, deixem-me ver toda a gente!", foram as primeira palavras de Josh Homme, líder da banda, seguidas de uma luz brilhante, digna de outro mundo, que encandeava a audiência. Um mar de gente que, mesmo colados uns aos outros, fazia parecer não existir mais espaço possível num dia em que o festival esteve completamente esgotado graças aos cabeça de cartaz.

 

O primeiro "obrigado" (assim mesmo, em português) não tardou em chegar, num momento em que o vocalista colocava a mão sobre o seu coração, completamente fascinado e enternecido com a receção do público português que cantava num coro perfeito, ao mesmo tempo que pulava e batia palmas sem descanso: "Fantástico! Vamos todos mais uma vez".

 

 

Com as cores fortes a não abandonar o palco num concerto que a todos deixava fora de órbita, sucessos como "My God Is the Sun" fizeram-se seguir, com o público cada vez mais recetivo à presença de palco dos californianos: "Quem me dera que pudessem ver o que nós vemos", foi mais um dos comentários de Homme que, ao mesmo tempo, fazia o público ripostar um "best show ever", enquanto a nossa lua cheia contrastava com a lua vermelha dos reis (ou rainhas?) da noite, vinda certamente de uma outra dimensão.

 

Num ritmo completamente alucinante, os elementos da banda pareciam preocupar-se com os compassos cada vez mais acelerados do público português, tendo questionado se todos estavam bem antes de voltarem a arrebatar a alma lusitana com "Go With the Flow".

Nesta altura, o submundo parecia ser o novo universo em que toda a plateia poderia mergulhar, aumentando o ritmo numa reta final onde os efeitos visuais de uma caveira psicadélica faziam o público aumentar o seu ruído, chamando à atenção da sua presença: "Vocês são fantásticos! Muito obrigado", voltava a agradecer o líder.

No fim, "A Song for the Dead" foi o culminar de uma noite perfeita que, apesar de todo o seu sucesso no decorrer do espetáculo, terminou com um final em seco, sem despedidas ou direito a encore, ouvindo-se apenas um ruído de música circense que, certamente, não era a mais esperada e desejada pelo público português que tanto ansiava pelos Queens of the Stone Age.


Assim sendo, devemos concluir que, apesar de ter sido um concerto completamente de arrasar, também o seu fim foi arrasador, mas pelas piores razões.

Ressalva ainda para a presença de Gary Clark Jr. no palco Super Bock, numa noite em que o cantor e guitarrista norte-americano aqueceu os ânimos para a chegada dos reis da noite. Vindo do Texas, o cantor surpreendeu a plateia e conquistou-a com a qualidade da sua música e presença. Cheio de estilo e carisma, num concerto de rock e blues, Gary foi uma das surpresas da noite, numa estreia em Portugal que foi de "ver e chorar por mais" e onde os maiores sucessos do cantor, com uma carreira construída desde 2004, foram os responsáveis pelo delírio do público português que certamente não vai faltar numa próxima vinda de Gary a terras lusas.

 

Texto: Carina Sousa

Fotografias: Carina Sousa, Débora Lino e Raquel Cordeiro

publicado às 02:25

Neste segundo dia do festival SBSR 2013, voltámos aos tempos dos egípcios, remontando às enormes e árduas construções de pirâmides. Num dia bastante mais alegre e solarengo, o festival do Meco fez os seus escravos do pó suar até mais não, numa evolução construtiva com três linhas que atingiram o vértice da noite: o culminar de um dia perfeito.

Para começar a preparar as nossas bases, os primeiros blocos surgiram-nos de Los Angeles, chegando sobre as rodas da comitiva dos Black Rebel Motorcycle Club. A banda norte-americana fez questão de deixar bem assente a sua adoração pelo nosso país numa entrevista bastante bem-disposta, onde a simpatia de Robert Turner conseguiu sobressair às memórias mais tristes, como a morte do seu pai, ex-integrante da equipa de som da banda.

No palco Super Bock, os escravos mais fanáticos começavam a levantar pó com os pés arrastando-se até às primeiras filas de um concerto que não podia ter surpreendido por melhores razões. Peter, Robert e Leah subiram ao palco pelas horas marcadas e os primeiros acordes chamaram à atenção do público que andava disperso e, rapidamente, juntou-se aos mais experientes.

Arrancando com "Hate the Taste", os americanos conquistaram o público que, de música para música, ia cada vez mais solidificando a primeira das bases da nossa pirâmide do Meco.

"Muito obrigado de novo. Nós somos os Black Rebel Motorcycle Club, só para o caso de não saberem", brincou o vocalista obtendo mais gritos do público que apelava por mais.

Contudo, bloco a bloco, refrão a refrão, o amor crescia entre público e banda, onde o bater dos pés da plateia fazia aumentar a poeira desta construção amorosa entre o palco e a terra batida. "Eu entrego-vos a minha alma Lisboa. Vamos ver-nos muito em breve", prometeu o guitarrista da banda ao finalizar o concerto com mais um "obrigado".

 

Passando para a nossa segunda base da noite, os Kaiser Chiefs voltaram a Portugal após o seu último concerto em terras lusas, no Rock in Rio 2012. Desta vez, os motores pareceram aumentar a sua intensidade, pedindo por mais palmas, mais público e mais danças do que antes, numa segunda etapa em que a estratégia de construção foi definitivamente mais rebuscada.

 

Os britânicos pisaram o palco do Meco adicionando o seu primeiro "tijolo" com "Another Brick Ih the Wall" dos Pink Floyd, enquanto se posicionavam e incentivavam o público para uma segunda fase de construção do dia perfeito de festival: "Deixem-me ver as vossas mãos! Yeah Portugal! Deixem-me ouvir-vos gritar!", apelava o líder da banda, o sempre irreverente Ricky Wilson.

"When the Heat Dies Down" marcou mais um momento de euforia dos festivaleiros que, arduamente, colaboravam para a construção piramidal do concerto perfeito, sendo de imediato felicitados por Ricky com um "obrigado" bastante português.

E os joelhos foram os primeiros a ceder nesta intensa incumbência ao som de "Oh My God", onde o líder da banda desceu do palco para felicitar os seus ajudantes festivaleiros, seguindo-se de uma merecida pausa nesta escalada ao pico de uma pirâmide perfeita.

Desta forma, não seria um concerto dos Kaiser Chiefs se a extravagância de Ricky não se fizesse notar, sendo que, desta vez, o cantor optou por atravessar a plateia e correr para um dos balcões de cerveja onde se serviu de um bela copo espumado, dando por terminada toda esta conjuntura. 

 

Chegada a uma da manhã, finalmente atingimos o momento de festejar o final de um árduo trabalho de equipa, onde as cordas vocais já não aguentavam mais, onde o pó turvava a vista, e onde os ritmos cardíacos aceleravam cada vez mais com a chegada dos poderosos e mercenários The Killers.

 

Chegados de Las Vegas, a banda americana encaixou perfeitamente no papel do pico da pirâmide onde, após muito trabalho duro, era apenas justo e merecido que se tivesse direito a festejar devidamente, com uma intensidade que só alguém com estilo Vegas conseguiria prever.

A banda norte-americana entrou ao som dos The Who, tendo conseguido trazer a festa em seguida com "Somebody Told Me".

E hit após hit, os de Las Vegas arrasavam com o público português que, embora estafado, não perdia a sua energia, transpondo-a para toda a sua presença marcada pelas palmas e gritos que faziam surgir sorrisos nos lábios de Brandon, Dave, Ronnie e Mark.

 

"Trouxeram os vossos sapatos de dança? Eu trouxe os meus!", exaltava o vocalista da banda que, sempre animado e com um sorriso para dar, não parou durante todo o concerto.

E a festa não seria a mesma sem um pequeno encore, uma explosão de confetti e, obviamente, um pequeno espetáculo de foto de artifício que, contudo, parecia não ser o suficiente para um final em grande: "Portugal, o que é que vocês querem mais de mim?", gritava Ricky para o público que respondia em bom som com um "Mr. Brightside".

Coros afinados e palmas sincronizadas, foi ao som da faixa do seu álbum de estreia, "Hot Fuss", que a nossa pirâmide ficou definitivamente concluída e igualmente inaugurada neste festival do Meco de 2013.

 

Contudo, resta ainda fazer uma pequena referência ao grupo norte-americano Tomahawk, formado em 2000 e que, nesta 19º edição do Super Bock Super Rock, marcou presença no palco principal, não tendo sido recordado pelas melhores razões.

Gritos, palavrões, enfim, uma panóplia de adjetivos juntos que, no fim, não daria certamente para a definição de um bom concerto.

"Porra, cara***, e assim já eu posso cantar também", foram as palavras de um dos espectadores que, insatisfeito, assistia ao concerto de Tomahawk que se empenhava em falar português, mas apenas nas suas piores palavras.

Ainda assim, graças aos nossos fortes alicerces, nem o desastre estrondoso conseguiu derrubar a nossa pirâmide deste segundo dia do Super Bock Super Rock 2013.

Num mundo aparte, no palco EDP, os ritmos do hip hop também tiveram direito ao seu destaque por intermédio de Miguel Jontel Pimentel, ou simplesmente Miguel. O cantor atrasou-se na sua chegada ao palco, provavelmente com a intenção de não ver o seu público ser "comprado" pelos Kaiser Chiefs que ainda atuavam. Contudo, na sua chegada ao palco, o cantor marcou presença com a sua imagem bastante pessoal e atrevida, mantendo um certo misticismo com os óculos escuros a ocultar-lhe o rosto. E apesar da sua música mais virada para o hip-hop, também o cantor americano, que se estreou em Portugal, fez sobressair a sua imagem rockeira e sensual, com casacos pelo ar e um guarda-roupa de fazer inveja.

 

Texto: Carina Sousa

Fotografia: Ana Rita, Débora Lino e Raquel Cordeiro

publicado às 03:28

Nesta 19º edição do Super Bock Super Rock (SBSR), o primeiro dia de festival marcou pela sua versatilidade, tendo disparado em sentidos distintos de fazer bater o pé, ou mesmo cair de rabo no chão. A jovem Azealia Banks e os já mais que testados Arctic Monkeys foram os dois grandes da noite, tendo contribuído para um belo arranque festivaleiro no Meco, onde rock e rap se juntaram sem quaisquer barreiras.



 

Tal como já era de esperar, tendo em conta a idade da cantora, Azealia estreou-se em Portugal num concerto bastante mexido e marcado pela boa disposição da mesma nesta promoção do seu novo e único álbum de estúdio, "Broke With Expensive Taste", da sua muito tenra carreira.

Com faixas como "Fierce" e outras do seu EP, "1991", que regista o ano de nascimento da americana, Azaelia fez questão de apresentar o seu DJ e bailarinos que, com as suas danças onde os ossos e ligamentos parecem não existir, criaram um hilariante efeito no público.

Perna ao ar, rabo ao chão! Era esta a lei da física presente no SBSR 2013, onde os mais tocados pela bebida, ou mesmo os menos flexíveis, mas certamente mais aventureiros, experimentavam os mesmos passos dos bailarinos, tropeçando por diversas vezes no pavimento ainda bastante arenoso e poeirento. 

Rápidas transições, ritmos mexidos e cores vibrantes marcaram o palco principal com Azealia, o mesmo que rapidamente se alterou para receber os desejados Arctic Monkeys após uma atuação de Johnny Marr.

 

 

Assim, já no que diz respeito aos repetentes, Arctic Monkeys, a banda britânica mostrou-se experiente e vencedora, tendo conseguido compor a plateia que, num ambiente completamente mágico, nos fazia mergulhar num mar de escuridão onde as luzes néon sobressaíam à vista de qualquer um.

A plateia era composta por uma mancha negra de roupas escuras que faziam anunciar a chegada do puro rock ao recinto! Adolescentes, adultos ou mesmo os de meia-idade aguardavam os poderosos "Macacos dos Ártico", juntando-se naquela que já era uma noite fria de verão. 

"Crawling Back to You" foi o ponto de partida para um final de noite que, embora não tão mexida, aparte das luzes cintilantes do palco, marcou pontos pela qualidade.

 

 

Ressalva ainda para uma noite em que a temperatura subiu e o céu se tornou vermelho com o surgimento de um petardo no meio da plateia, tal não era o entusiasmo perante a atuação de "Brianstorm" e a primeira saudação ao público: "Boa noite, senhoras e senhores, nós somos os Arctic Monkeys".

E a noite prosseguiu com muitos dos sucessos a que a banda britânica nos tem acostumado, dando ainda a possibilidade de um pequeno pé de dança com "I Bet You Look Good on the Dance Floor" e um novo apelo: "Portugal, como estão a sentir-se? Está na hora da festa!".

Por fim, resta concluir com uma constatação bastante previsível pois, quer faça frio ou calor, ninguém consegue derrubar os guerreiros do Ártico que, mais uma vez, voltaram a marcar pontos neste festival do Meco, num primeiro dia verdadeiramente bipolar, com os extremos bem assentes tanto na música, como no tempo. 

Agora, permanece On the Hop, porque ainda está muito mais para vir! 

 

Texto: Carina Sousa

Fotografia: Débora Lino

publicado às 02:07


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